Para Gabriel Albuquerque, aquele impulso inicial ter-se-á assemelhado a quando um rapaz elege o Pokémon que o acompanhará numa aventura. Tinha quatro anos, estava numa feira em Almada com várias atrações, mas, quando viu os trampolins, virou-se para os pais e não duvidou.
“Escolho-te a ti.”
Os saltos foram vistos por Filipa Vítor, treinadora no Clube Recreativo e Desportivo Brasileiro/Rouxinol, em Corroios, que perguntou se a criança não queria lá ir experimentar mais. João Pedro Monteiro, espécie de Professor Oak que tutela a aventura, foi avisado que apareceria um menino “espetacular” no ginásio.
O que os olhos viram superou a descrição. Ali estava uma criança “cheia de energia”, a “querer fazer tudo”, com uma “noção do corpo fora de série”.
“Sempre que havia um trampolim sem ninguém, que não estava a ser usado, ele ia para lá e saltava.” O elo estava criado, não havia como o desfazer. Estava descoberto o habitat de Gabriel.
Esta história começa em Almada, vai para Loulé, alarga-se a todo o mundo. A criança virou homem, ainda jovem, e João Pedro, ou somente JP, continua a ser o treinador, o mentor. E o menino “espetacular” virou craque internacional.
Gabriel Albuquerque, o mais novo português nos Jogos Olímpicos de 2024, foi, aos 18 anos, quinto no trampolim individual de Paris, o melhor resultado nacional de sempre na competição. No ano anterior já fora quarto nos Mundiais, em 2025 elevou a fasquia: conquistou, juntamente com Lucas Santos, o ouro no trampolim sincronizado nos Jogos Mundiais, e foi bronze, em equipa com Pedro Ferreira e Diogo Abreu, nos Mundiais de Pamplona, onde acabou no quarto lugar na prova individual.
