Portugal Distante
72% das freguesias não têm balcão bancário
Este é o segundo de quatro trabalhos sobre as desigualdades no acesso a serviços básicos, feitos numa parceria entre o Expresso e o NOVA Cidade — Urban Analytics Lab, da NOVA IMS. A distribuição desigual de agências bancárias no território prejudica as populações do interior, sobretudo os mais idosos. Mais de 70% das freguesias não têm um balcão bancário
JANEIRO 2026
D esde que a estação de caminhos de ferro fechou, Beirã perdeu quase tudo. Chegou a ter duas salsicharias, alfândega, posto de Guarda Fiscal e oito mercearias e tabernas. Hoje, a freguesia alentejana do concelho de Marvão, com cerca de 400 habitantes, está reduzida a um café, um restaurante, um centro de dia e uma unidade de cuidados continuados. Não há sequer uma mercearia, nem farmácia, posto dos correios, multibanco, agência bancária, muito menos uma escola. O médico aparece uma vez por semana.
“Quando cheguei à freguesia, percebi que os mais idosos, sem família nem transportes, não conseguiam chegar a serviços básicos. Um dia fiz-lhes uma oferta: quando tivessem de ir ao médico, ligavam-me, diziam que precisavam de lá ir no dia tal, às tantas horas, e foi assim que os comecei a levar numa carrinha da Junta”, descreve o autarca Adelino Miguens, a iniciar um segundo mandato. “Depois diziam-me: ‘Se não se importasse, eu aproveitava e ia ao multibanco, passava na farmácia e, já agora, comprava umas coisas no supermercado.’ E o Adelino lá ia. Quando não posso ir eu, vai um funcionário da Junta.”
Há vários relatos do interior do país onde são as Juntas que levam a população a serviços que desapareceram dos locais onde as pessoas continuaram a viver. Uma das falhas é a ausência de serviços bancários, incluindo multibanco, pondo em causa o próprio acesso ao dinheiro. Em algumas aldeias, os vendedores ambulantes de carne, peixe, fruta e queijos servem de “multibanco móvel”, por vezes levando os cartões bancários dos clientes até à vila e trazendo dinheiro de volta.
Só 28% das freguesias do continente têm agência bancária e a escassez é sentida sobretudo nos distritos de Braga, Viseu, Guarda e Bragança, onde se localiza mais de metade dos locais sem serviços bancários. A concentração de agências na faixa litoral é óbvia: 46% dos balcões estão em apenas 3% das freguesias (90) e os distritos de Lisboa e Porto têm quase tantos como outros 13 distritos somados. Isso significa que em meio milhar de freguesias a população leva, em média, mais de meia hora de carro, ida e volta, até à agência mais próxima.
Estas são algumas das conclusões da análise de acessibilidade a serviços essenciais feita numa parceria entre o Expresso e o NOVA Cidade — Urban Analytics Lab, da NOVA IMS. Partindo da geolocalização das agências bancárias registadas no final de novembro de 2025 pelo Banco de Portugal, foi calculada a distância e o tempo de viagem mais curto desde o ponto central de cada freguesia até à agência mais próxima, calculando depois a distância e o tempo médio para cada concelho.
DESLOCAÇÃO ATÉ À AGÊNCIA BANCÁRIA MAIS PRÓXIMA
TEMPO MÉDIO EM MINUTOS, POR FREGUESIA
Passe o cursor sobre o mapa para explorar os dados
Fonte: Expresso e NOVA Cidade - Urban Analytics Lab/NOVA IMS (Candela Sol Pelliza, Bruno Jardim, André Barriguinha e Miguel de Castro Neto) com dados do Banco de Portugal referentes a novembro de 2025 (agências bancárias) e dados do ArcGIS Online da ESRI (cálculo das rotas)
MENOS DUAS MIL AGÊNCIAS
Jorge Veloso, presidente da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), resume as desigualdades no acesso a serviços bancários: “É um mau retrato. Foram retiradas, no mínimo, 400 caixas multibanco dos locais onde eram mais precisas. Estamos há três anos a tentar ajuda do Governo para instalar pelo menos 200 máquinas, mas estamos a ter dificuldade”, critica.
Segundo o responsável, o acordo assumido com o Governo de António Costa era de instalar 200 terminais de levantamento de dinheiro em algumas freguesias do interior. “Quem não se pode deslocar a uma agência conseguiria assim levantar dinheiro. Mas estamos a falar de terminais e não caixas automáticas, o que significa que as Juntas teriam de avançar o dinheiro e só depois serem ressarcidas.”
Em dez anos fecharam duas mil agências bancárias, uma quebra de 40%, segundo os dados do Banco de Portugal. “O pior foi no interior, onde o impacto é muito mais significativo nas populações, quer pelas distâncias quer pela demora nas deslocações devido ao estado das estradas”, afirma Nuno Rico, economista da Deco Proteste. “Quem mais sofre são os idosos, porque têm mais dificuldade de se deslocarem e não dominam as tecnologias para usar os serviços à distância.”
“Portugal não tem critérios mínimos de acesso a nenhum tipo de serviços essenciais”
O economista retrata este acesso a balcões no país: “A Caixa Geral de Depósitos tinha 89 agências no distrito de Lisboa, o equivalente ao somatório de Beja, Bragança, Castelo Branco, Évora, Guarda e Portalegre. É completamente desproporcional”, diz, baseando-se no estudo que fizeram este ano.
“Um cliente do Millennium BCP de Barrancos que precise de ir ao banco tem de ir a Reguengos, a 70 km.” Só que muitos dos balcões que resistem no interior nem sequer estão abertos todos os dias — o que também tem impacto na economia local. “Um empresário de uma bomba de combustível, que regularmente tem de depositar moedas, vê uma operação de baixo valor ser um encargo quando tem de fazer 140 km até ao banco, que, nas estradas do Alentejo, equivalem a uma manhã de trabalho.”
"PUZZLE SEM PEÇAS"
Nuno Rico vê nesta desigualdade uma falha dos próprios bancos, sobretudo da CGD, por ser público. “Anunciam a sua responsabilidade social, mas, apesar dos lucros avultados, não garantem o mínimo a estes clientes”. Mas a grande falha, diz, é do Estado.
“A banca é só o reflexo de uma falta de políticas integradas que se arrasta há décadas. É ao Estado que cabe definir os princípios mínimos de acesso.” Entre eles, defende, está a presença de agências em função de uma distância máxima à mais próxima — com garantia de horário de funcionamento normal — e “nos locais mais recônditos” assegurar serviços móveis.
O geógrafo João Ferrão lembra que, ao contrário de outros países, Portugal não tem critérios mínimos de acesso a nenhum tipo de serviços essenciais. “Tem havido uma desvalorização sistemática do ordenamento do território. Não vejo empenho político quer na aprovação dos Planos Regionais de Ordenamento do Território do Norte e Centro, que estão finalizados, mas sem aprovação, quer na revisão dos existentes. É nestes planos que são definidos os critérios, que não podem existir no abstrato nem ser empurrados para os municípios, que nunca poderão resolver sozinhos problemas tão estruturais”, sublinha o investigador.
“É como se o território fosse um puzzle e algumas peças começassem a desaparecer. Só que essas peças são pessoas”
“As pessoas não podem ser penalizadas em função do sítio onde vivem. Mas a visão baseada só na lógica da procura leva ao fecho de serviços, num efeito de arrastamento, sem noção do seu efeito cumulativo. É isso que nos leva a um país cada vez mais fragmentado e mais desigual. É como se o território fosse um puzzle e algumas peças começassem a desaparecer. Só que essas peças são pessoas”, resume João Ferrão.
Em Beirã, onde o fim da estação de comboios esvaziou a freguesia, o autarca continua há dois anos a tentar ter um multibanco. “A CGD veio ver instalações e pediu €10 mil para a instalação da máquina, mais uma renda de €300 ou €400, além dos €40 mil em obras, porque é preciso ter boa cobertura móvel, porta blindada e um bom sistema de vigilância”, explica Adelino Miguens. “Isto é dinheiro que não temos.”
REPORTAGEM
Em Alcoutim, recorre-se à autarquia para ir ao banco: "Ligamos na véspera e mandam a carrinha cá"
Em todo o concelho de Alcoutim, vasto mas com a menor densidade populacional do país, existem apenas três agências bancárias
Filomena Bonito, 74 anos, 41 passados emigrada em França, está sentada no Café Central do Pereiro. “Em Paris, morava nos Champs-Élysées. Mas é aqui que me sinto bem.” Na verdade, podíamos dizer apenas que está no café do Pereiro, pois é o único na pequena localidade do interior algarvio, próxima do rio Guadiana. “Aqui estou em casa”, diz, com um sorriso sincero.
Filomena que, há 12 anos, voltou à terra onde nasceu, divide a mesa com um amigo. Da mesma idade. Talvez mais velho — é sempre difícil adivinhar a idade de quem trabalhou no campo toda a vida. São os únicos clientes e por ali passam a manhã, a conversar.
Em Paris, Filomena fazia limpezas e era porteira de um prédio nos Campos Elísios. Segundo emprego que incluía um apartamento no edifício no centro da capital francesa. Era nele que morava, mas não era feliz. “Lá estava sempre fechada em casa, não ia a lado nenhum. Aqui posso ir a pé a todo o lado”, explica. “E aqui é mais quente. E sentia falta do mar.” E faz o mesmo sorriso.
O Pereiro já foi freguesia em nome próprio. Até 2013, quando a reforma administrativa juntou o lugar com a sede de concelho, Alcoutim, formando uma união de freguesias. Em 2011, no último censos antes da junção, tinha 213 habitantes. Agora serão menos. Alcoutim é o município nacional com menor densidade populacional — há apenas 4 pessoas por km2, espalhadas pelos 575 km2 do concelho. No extremo oposto, a Amadora tem 7637 habitantes/km2. E desde 1960 que a população está a diminuir.
Atrás do balcão do Central, Amália Marques ouve a conversa. É ela que explora o café. “Também funcionamos como mercearia”, diz-nos. E ainda como restaurante, podemos acrescentar. O café é mesmo o único estabelecimento comercial no Pereiro. Se há um ponto de encontro, é ali. Só que convém levar dinheiro, porque não tem multibanco. “Não temos clientes suficientes para isso”, justifica-se Amália.
Numa terra onde todos se conhecem, há alguma latitude nos pagamentos. Mas, eventualmente, é preciso acertar as contas. Nessa altura, há que ir até uma das três agências bancárias que existem no concelho: duas em Alcoutim (da CGD e Crédito Agrícola) e uma em Martinlongo (Crédito Agrícola).
Num território onde ainda não chegaram os TVDE e a maioria da população, muito envelhecida, não usa a banca online nem conduz, há um táxi que permite fazer a viagem. Para quem não pode ou não quer gastar esse dinheiro, a solução é a Câmara Municipal. “Ligamos na véspera e eles mandam a camioneta cá”, resume, com simplicidade, Filomena.
Com os moradores espalhados por pequenos lugares, como o Pereiro, ou por montes, com ainda menos pessoas, a autarquia tem uma camioneta que percorre diariamente o concelho, a apanhar, por marcação, quem quer ir até Alcoutim. Seja para ir ao banco, seja por qualquer outro motivo. Até comprar o jornal.
RELAÇÃO PRÓXIMA COM AS PESSOAS
“Vocês são do Expresso?” Encostado à parede da CGD de Alcoutim, um grupo de homens interrompe a conversa que estava a ter. “Acho que quem compra sempre o Expresso é o Carlos Brito”, diz um, referindo-se ao histórico ex-militante do PCP, residente na localidade e que foi diretor do jornal “Avante!”. “Agora até dizem que vamos deixar de receber jornais”, lamenta outro.
É ali, entre a porta do banco e a de uma pequena loja, que discutem a atualidade e nos falam dos problemas do município. “Isto, já se sabe, há poucos jovens, a maioria das pessoas já tem alguma idade, estão espalhadas pelos montes...” António Assunção faz o resumo sociodemográfico de Alcoutim. Quase assumindo que a dificuldade de acesso aos serviços é inevitável, num concelho com estas características. São anos de habituação a esta realidade e poucos acreditam que mude. Até promete piorar. Na agência da CGD trabalham o gerente e um funcionário. Mas por pouco tempo, o gerente já tem agendada a mudança para outra dependência bancária.
“Não posso dar entrevistas”, avisa-nos o responsável da CGD de Alcoutim. Mas aceita falar informalmente. “Cumprimos o horário diário de qualquer outra agência”, garante, mostrando o horário que está na porta. Já o Crédito Agrícola só abre portas às terças e quintas-feiras, em Alcoutim, e às segundas, quartas e sextas, em Martinlongo. “Temos, naturalmente, uma relação mais próxima com as pessoas. E muitas vezes desempenhamos o papel de lhes dar alguma literacia financeira”, acrescenta.
Não pode dizer mais, mas percebe-se que essa “relação mais próxima com as pessoas” tem a sua importância para os alcoutejanos. Já não há histórias de quem vá ao banco contar as notas que tem na conta, a ver se estão lá todas. Nem quem leve uma saca de batatas ou um cabrito para oferecer ao bancário. Mas é ali que têm as poupanças. Têm acesso ao dinheiro. Que depois podem levar para os lugares e montes. Onde não há multibancos, mas há sempre um café central, que também é mercearia e restaurante. E onde se pode passar umas horas a falar com um amigo sobre qualquer assunto. Até sobre a distante Paris e os Champs-Élysées.
REPORTAGEM
João, o “presidente multiusos” que tem as senhas de acesso às finanças da freguesia inteira
Na envelhecida aldeia de Edral, o multibanco mais próximo fica a 20 quilómetros. É o presidente da junta quem levanta as reformas, faz o IRS e compra os medicamentos à população. Nesta terra, ninguém é eleito pela cor política
Durante a tarde, a sede da junta enche-se devagar. Ali, onde em tempos funcionou uma escola primária, desativada “há uns 20 anos”, há quem vá apenas para ver alguém e conversar, mas também há quem peça ajuda, deixe um recado ou até o cartão multibanco.
É o ponto de encontro da envelhecida freguesia de Edral, no concelho de Vinhais, que tem pouco mais do que casas mudas e ruas vazias. Dois cafés, um minimercado sem grande oferta e nenhuma caixa multibanco. Levantar a reforma, pagar medicamentos ou tratar do IRS raramente passa por uma máquina; em vez disso, tem sido uma das funções do presidente da junta.
Aos 54 anos, João Vila é dos mais novos daquela freguesia situada a escassos quilómetros da fronteira com Espanha. Nos últimos oito, tem sido o autarca “multiusos”. Todas as manhãs são passadas em Vinhais, a sede do concelho, a meia hora de distância dali, a resolver os assuntos que a sua população idosa não consegue fazer sozinha.
Leva cartões multibanco, e os respetivos códigos de acesso, para ir pagar faturas ou levantar dinheiro. Por vezes, um cheque. Carrega consigo também as receitas do médico, cujo pagamento adianta na farmácia, antes de ser reembolsado pelos moradores. Pelo menos uma vez por mês é dia de levantar os vales-postal com as reformas.
No dia em que o Expresso o acompanhou na rotina matinal, levava 7 mil euros na pasta. “Mas há dias em que levo 40 mil”, anuncia. Toda a gente sabe e ninguém ousa roubar, ou seria facilmente apanhado no pequeno concelho transmontano.
IR À VILA DE TÁXI CUSTA 30 EUROS
João não se recorda da última vez que houve em Edral uma caixa multibanco. Com a população a encolher – a sina das terras do interior – deixou de nutrir a esperança de que alguma vez apareça uma. “Já foi pedida, mas a resposta é sempre a mesma: há pouca gente e não é viável”, explica.
Há que lidar com o que existe. O multibanco mais próximo fica do outro lado da fronteira, mas as taxas de levantamento afastam os portugueses. Depois desse, só a 20 quilómetros, em Rebordelo, e em Vinhais, na sede, que fica a 25 quilómetros e a 30 euros de táxi.
Para muitos dos cerca de 140 habitantes, na grande maioria idosos com mais de 70 anos, a viverem sozinhos, atravessar estas distâncias é impossível. Só há um transporte de táxi comparticipado pela câmara às segundas e às sextas, com lugares limitados.
É aí que João se torna imprescindível. O dia a dia do presidente da junta mistura burocracia e gestos simples. Entre os pedidos, há quem lhe solicite que compre leite ou ovos, há peça ajuda para pagar a conta da luz, o IRS ou, como já lhe aconteceu, para mudar uma lâmpada. “Isto funciona como um balcão único”, explica do alto da sua secretária, alinhada com uma lareira que tem uma fotografia de Marcelo Rebelo de Sousa, ao lado de uma cruz de madeira. “Eu tenho cá as senhas de acesso às finanças da freguesia inteira."
“AQUI O PRESIDENTE DA JUNTA NÃO TEM VIDA PRÓPRIA"
Desde que se tornou presidente da junta, João ainda não tirou um dia de férias. “Aqui o Presidente da Junta não tem vida própria”, diz sem lamento. Técnico de informática de formação, passou quatro anos a viver na Amadora, mas regressou à terra e ficou. Divide hoje os dias entre o cultivo da castanha, que é o principal meio de sustento da aldeia, e o trabalho na freguesia. É uma rotina exigente, mas na qual se reconhece, como se o cargo lhe tivesse dado um lugar claro no mundo.
E por isso lembra com orgulho ter sido eleito pela primeira vez por maioria. Numa segunda eleição, não chegou a ter oposição e, nestas últimas autárquicas, apesar de ter tido, ganhou com maioria absoluta.
Concorreu sempre pelo Partido Socialista, responde com agrado. Mas rapidamente faz uma ressalva: em Edral, como noutras aldeias que ficaram na sombra do país, os presidentes não são escolhidos pela cor política. “As pessoas aqui dependem muito de nós, porque fazemos tudo, e a maior parte dos presidentes fá-lo por carolice.”
É dessa dependência que João Vila retira o sentido de continuar. Quer manter a aldeia ligada ao mundo mesmo quando, com o tempo, tudo se foi afastando dela.
Nota Metodológica
Análise de acessibilidade em Portugal continental, considerando a distância (km) e o tempo (minutos) de condução desde o ponto central de cada freguesia até à agência bancária mais próxima, com dados do serviço de rotas do ArcGIS Online da ESRI e extensão Network Analysis. Para os municípios, os dados das freguesias foram agregados, obtendo valores médios de distância (km) e deslocação de carro (minutos).
+ Portugal Distante
Já disponível
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Disponível a 12 de janeiro
Disponível brevemente
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Textos João Mira Godinho, Joana Ascensão e Raquel Albuquerque
Infografia Cátia Barros com Sofia Miguel Rosa
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Coordenação Isabel Leiria, Marta Gonçalves e Rita Ferreira
Direção João Vieira Pereira
Expresso 2026



