O que é o Estado Islâmico?

É um grupo armado jiadista que ganhou força quando entrou na guerra civil da Síria. Começou por se designar ISIS ou ISIL, mas passou a chamar-se “Estado Islâmico” a 29 de junho, depois de Abu Bakr al-Baghdadi ser nomeado seu califa. O Estado Islâmico quer impor a autoridade religiosa sobre os muçulmanos de todo o mundo e ambiciona a conquista da região do Levante (Israel, Líbano, Síria, Iraque e Jordânia). Foi designado “organização terrorista” pelas principais potências ocidentais. Controla neste momento uma parte dos territórios da Síria e do Iraque. Quando conquista alguma localidade, os seus homens penduram a bandeira negra no topo do prédio mais alto.

Quem compõe e apoia o Estado Islâmico?

Inicialmente, era financiado por milionários árabes. Hoje, o Estado Islâmico consegue autofinanciar-se através dos lucros do petróleo e do gás (proveniente das zonas que conquistaram), dos impostos e do dinheiro proveniente dos raptos de cidadãos ocidentais. Os resgates têm sido pagos pelas famílias e por alguns governos de modo oficioso. A ofensiva no Iraque tem sido bastante lucrativa, já que o Estado Islâmico teve acesso aos milhões de dólares depositados em vários bancos de localidades invadidas. Deste modo, conseguem comprar armamento cada vez mais sofisticado.

Quantas pessoas já foram vítimas do Estado Islâmico?

Há centenas de denúncias de violação dos direitos humanos que visam os guerrilheiros do Estado Islâmico: soldados e civis decapitados, mulheres violadas e exploradas sexualmente são as mais comuns. Os que se recusam a viver sob as suas leis sofrem torturas, mutilações ou são condenados à morte. O Estado Islâmico é especialmente violento contra os xiitas, yazidis e cristãos e já matou mais de 20 mil pessoas este ano, segundo algumas estatísticas mais conservadoras. Só no Iraque morreram 5 mil soldados e civis desde a invasão do Estado Islâmico, iniciada em junho.

Quais as principais nacionalidades dos jiadistas ocidentais que combatem no Estado Islâmico?

Os franceses estão em maioria, depois surgem os britânicos. A Bélgica, a Alemanha, a Holanda, os Estados Unidos, a Espanha, a Dinamarca e a Suécia, o Canadá, a Áustria, a Itália, a Noruega, a Finlândia e Portugal são os principais países de origem dos guerrilheiros ocidentais. Há ainda 800 russos e 150 albaneses. O contingente fora de Europa é liderado pelos árabes, tunisinos e marroquinos. Da Austrália saíram 250 e da China um pouco menos (cerca de 100).

O que tem feito o Reino Unido para combater a Jihad em casa?

No Reino Unido foram detidas 218 pessoas ligadas a atos terroristas desde o início do ano. Foram ainda condenadas 16 depois de terem regressado da Síria. A polícia inglesa contabiliza ainda 66 jovens dados como desaparecidos pelas suas famílias,alegadamente por terem viajado para a Síria para se juntarem ao Estado Islâmico. Estima-se que entrem todas as semanas cerca de 50 pessoas em programas que combatem a radicalização.

O que diz o Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) sobre os jiadistas portugueses?

Em abril, o gabinete do secretário-geral do SIRP confirmou que se encontram “referenciados alguns cidadãos nacionais que integram esses grupos de combatentes”, que vão apoiar a causa jiadista na Síria. Alguns “detinham um estatuto de residência temporária noutros países europeus, embora apresentem conexões sociais e familiares ao território nacional”. Em setembro, fonte próxima das ‘secretas’ revelou que dois dos radicais estiveram de novo em Portugal. Não foram presos nem impedidos de viajar para a Síria ou para o Iraque. Ao contrário do que acontece noutros países, a lei portuguesa não permite a apreensão de passaportes nem proíbe o regresso dos jiadistas ao Estado Islâmico.

Quantos alertas de terrorismo tiveram as autoridades portuguesas em 2013?

Durante o ano passado, a Polícia Judiciária teve no total 62 alertas de terrorismo: a Europol fez 52 pedidos de auxílio às autoridades portuguesas sobre atividades suspeitas e a Interpol dez.

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