Qual o salário necessário para viver confortável trabalhando em Lisboa ou no Porto?
Faça as suas contas e descubra
Qual o salário necessário para viver confortável trabalhando em Lisboa ou no Porto?
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Decidir ir viver para fora do Porto ou Lisboa pode diminuir as despesas em mais de €900, consoante o meio de transporte utilizado. Mas o que se poupa em dinheiro pode perder-se em tempo. A escolha é sua. Simule e leia os testemunhos de quem vive nos arredores, mas trabalha nos grandes centros urbanos
OUTUBRO DE 2026
Depoimentos
ANA GOMES - Mafra
Médica
6h da manhã. É essa a hora a que o alarme de Ana toca para se deslocar até ao Hospital de Santa Maria é diário e às portagens e custos de combustíveis junta-se o preço do estacionamento em Lisboa. Pelo caminho, deixa a filha de um ano com a avó. Ao final do dia, a história repete-se: “Num dia normal de trabalho [em que sai às 13h, por estar com horário reduzido com amamentação] demoro 12 ou 13 minutos a ir buscar a minha filha. Num dia que faça urgência o tempo aumenta para 50 minutos. A partir das 17h está trânsito em todo o lado em Lisboa”. Apesar deste tempo todo, Ana e o marido nunca pensaram ir viver para Lisboa, não só pelos preços praticados, mas também pela poluição e por se tratar de um grande centro urbano.
No fim, Ana expõe a dicotomia sentida por muitos: “Uma pessoa tem sempre que pôr em cima da mesa o que é que valoriza mais, se o dinheiro, se o tempo perdido em transportes ou no trânsito, mas se olharmos única e exclusivamente para o dinheiro, compensa sempre”.
PAULO SANTOS - São João da Madeira
Diretor técnico de uma startup
Antes das 8h da manhã já está fora de casa, com uma viagem de 45 minutos, na melhor das hipóteses, pela frente. Como tem um horário flexível admite que já chegou a trabalhar mais 30 minutos a uma hora para tentar evitar o trânsito no final do dia. Na sua ótica a maior desvantagem de viver longe “é mesmo o tempo que tenho que dedicar em viagens”. “Se eu pensar bem estou a dedicar cerca de duas horas por dia em viagens. Ao fim de uma semana acaba por ser bastante tempo. E isso tira-se no tempo que estou em casa com a minha namorada ou no tempo de descanso.” Por outro lado, consegue estar perto da família.
DIANA MAGALHÃES - Barreiro
Assistente executiva
Viveu e cresceu na Margem Sul e nunca esteve tão próxima de Lisboa, tendo um autocarro direto do Barreiro para o Parque das Nações, onde trabalha. Bem, direto após uma “viagem de 15 minutos de carro para chegar à paragem” - ainda assim, “mais direto do que quando morava com os meus pais no Seixal” e é por isso que se considera uma sortuda, mesmo com uma viagem de 1 hora pela frente. “Quando me desloco de carro rapidamente percebo que mais vale ficar pelos transportes públicos, até porque o passe é só €40.”
METODOLOGIA
As contas deste trabalho consideraram apenas habitação e deslocações casa-trabalho, sendo que a poupança real poderá variar consoante o estilo de vida de cada família, deslocações extra, tipo de imóvel, entre outros — e deve-se pôr em cima da balança outros fatores como o desgaste do carro ou o tempo percorrido.
Para chegar a estes valores, o Expresso usou duas bases de dados do Instituto Nacional de Estatística (INE): as Estatísticas de Preços da Habitação ao nível local, para o valor mediano das vendas de alojamentos familiares por metro quadrado (m²), e as Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local, para o valor mediano das rendas por m² dos novos contratos de arrendamento. Em ambos os casos, os dados referem-se aos últimos 12 meses até março de 2026 e foram aplicados a uma casa de 100 m². No caso da compra, simulou-se um crédito de 90% do valor do imóvel, a 40 anos, com uma taxa de juro de 3% e prestações constantes, sem incluir seguros, impostos, comissões bancárias ou outros encargos.
Analisámos também as deslocações casa-trabalho, do centro de cada concelho ao centro de Lisboa ou do Porto, considerando regimes presencial (22 deslocações mensais), híbrido (nove) e teletrabalho (zero). No carro, o tempo corresponde ao ponto médio do intervalo estimado pelo Google Maps para o percurso mais rápido, com chegada às 9h e regresso com partida às 17h; os quilómetros (km) e as portagens resultam do percurso mais rápido sugerido pelo simulador da Via Verde (classe 1), calculados na ida e no regresso. No caso dos transportes públicos, tivemos em conta o percurso mais rápido sugerido pelo Google Maps, contando apenas o tempo passado dentro dos veículos, e um passe mensal de 40 euros. Para quem vive em Lisboa ou no Porto, considerámos metade da extensão do concelho: 7 km e 5 km, respetivamente. Assumimos um consumo médio de seis litros por 100 km nos carros a gasóleo, sete litros por 100 km nos carros a gasolina e 17 kWh por 100 km nos veículos elétricos. Os custos de combustível basearam-se nos preços médios mensais a 29 de setembro (2,131 euros por litro de gasóleo e 2,078 euros por litro de gasolina) e, no caso dos elétricos, em 16,5 cêntimos por kWh, com IVA incluído.
Por fim, para estimar o rendimento necessário, aplicámos uma taxa de esforço de 45%: assumimos que a habitação não deveria ultrapassar 45% do rendimento líquido mensal do agregado. O valor apresentado resulta de dividir a prestação ou renda por 0,45 (quanto o agregado teria de receber, líquido, para que a casa não pesasse mais do que isso).
A informação que introduzir não será guardada ou usada para outros fins, além da personalização deste artigo.
CRÉDITOS
Texto Rita Robalo Rosa
Tratamento e recolha de dados Cátia Barros e Rita Robalo Rosa
Web development Cátia Barros
Webdesign Tiago Pereira Santos
Coordenação Marta Gonçalves e Miguel Prado
Direção João Vieira Pereira
Expresso 2026
