O que fica para a história sobre a edição de 2014 do torneio de Wimbledon, disputado em junho e julho, é o título de Novak Djokovic. Ponto. Mas quem viu a final sabe que houve um momento muito mais emocionante do que o levantar do troféu.

Ninguém gosta de perder. Inicialmente, Roger Federer fez-se de forte, como cavalheiro que é. Sorriu o mínimo indispensável, parabenizou o adversário no discurso pós-derrota e agradeceu a presença da mulher, Mirka, e dos filhos. Tudo normal. Mas, tal como no quarto set da final, quando perdia por 2-5 e ainda recuperou para 7-5 (depois de ter vencido o primeiro por 7-6 e ter perdido o segundo e o terceiro por 4-6 e 6-7, respetivamente), estava apenas a fazer-se de forte antes de acabar por quebrar definitivamente na quinta e última partida, por 6-4.

Então com 32 anos (agora com 33), já ninguém dava nada pelo tenista suíço. É, inegavelmente, um dos melhores de sempre do ténis, mas não ganhava (e não ganha) um Grand Slam há dois anos e já lhe perguntavam se ia retirar-se em breve, depois de um ano aterrador em 2013, em que chegou a ser eliminado de Wimbledon logo na 2ª ronda.

Federer levantou-se e esteve a uma unha negra de conquistar o oitavo título em Wimbledon, o que significaria superar a marca de sete títulos que partilha com Pete Sampras. Só que Djokovic foi mais forte e conquistou o seu segundo troféu no torneio britânico.

A única lágrima que Federer deixou escapar – e que limpou rapidamente – disse tudo sobre o que significava o título para o suíço, que confessou uma "tristeza indescritível" depois do jogo.


O momento foi duro, mas o ano de Federer melhorou substancialmente nos meses seguintes, quando esteve quase a voltar ao posto de número um mundial (Novak Djokovic voltou a superar o suíço) e especialmente quando conquistou com a seleção suíça a Taça Davis, pela primeira vez, em novembro.


O torneio até começou mal, mas a culpa não foi de Federer. Foi de Mirka, que tinha chamado Stan Wawrinka de "bebé chorão" durante um jogo no Masters, contra Federer. Wawrinka não gostou e discutiu com o compatriota, mas ambos resolveram a questão "com uma conversa", contaram depois. Em boa hora, porque a Suíça derrotou a França na final da Taça Davis, com 27,448 pessoas a assistir – um recorde mundial no ténis.

E Federer, desta vez, não deitou uma lágrima. Chorou baba e ranho. "Esta foi para os rapazes. Isto não foi para mim, já ganhei mais do que o suficiente. Só estou feliz por ter conseguido dar a todos no nosso país um momento histórico". Sempre um cavalheiro. Até na hora de despedida.