A crónica do Portugal-EUA por quem não sabe o que é um livre
Não tenho estudos para dizer se Portugal jogou bem ou mal. Quando o locutor diz que estão quatro jogadores “fora de jogo” e eu a vê-los ali a tentar marcar um golo (que não surgiu…), dá que pensar.
Texto Luísa Meireles Fotos EPA e Lusa
P ois. Surpreendi-me a mim própria quase cinco minutos depois do jogo a dar um salto no sofá e aos berros porque Portugal tinha metido um golo e hora e meia depois a perguntar: e agora? “Agora? Temos de meter uma goleada ao Gana tão grande quanto a Alemanha nos meteu a nós! E olha que o Gana é muito mais equipa que os Estados Unidos!”
Estranho, isto do futebol. Mesmo distante, mesmo não percebendo nada – passei metade do jogo a ver “cantos” contra Portugal sem perceber porquê nem o que isso era e como acontecia – uma derrota abate. Porque mesmo que tenha sido um empate no último minutinho, soube a derrota na mesma. O tal jeito desesperado dos portugueses de se safarem no derradeiro segundo desta vez não deu.
Não tenho estudos para dizer se Portugal jogou bem ou mal. De facto ia dizer “nós”, o coletivo contagiou-me. Mas devo confessar que depois daquele golo inicial – e daquela incrível cotovelada na cara do nosso exótico Raul Meireles, fiquei chocada. É espantosa a quantidade de coisas que um espetador repara num ecrã de televisão e que o árbitro não vê.
Penáltis, pelo menos um. Livres? Nem sei, nem cheguei a perceber o que são. Mas que foi espetacular a defesa do Ricardo Costa em vez do Beto isso foi! Fixei os nomes, claro! No meio de tantas regras que não percebo, até fiquei espantada com o facto de ser permitido um jogador defender a baliza em vez do guarda-redes. Sim, porque quando o locutor diz que estão quatro jogadores “fora de jogo” e eu a vê-los ali a tentar marcar um golo (que não surgiu…), dá que pensar.
A primeira parte, confesso, depois da excitação inicial, abrandou um pouco. De tal maneira que até me distraí e fui ver as últimas do facebook. Não sei se foi assim ou não, mas achei os portugas muito parados, a mandar a bola para trás, quando, para mim, a ideia é que se chute sempre para a frente.
Na segunda parte, a coisa começou mais animada – e a esperança renovada que sim, que íamos – sim, íamos – meter mais um golo. Em vez disso veio uma bomba americana. De tal maneira que o guarda-redes só viu a bola com os olhos. Ficou ali, especado. E eu que tinha ouvido dizer que o Beto era o melhor, que até tinha sido o “carrasco” do Benfica. Ups! O segundo nem deu para contar – estava mesmo a ver-se que a bola deles ia chegar – percebia-se mesmo que ia haver um golo. Era inevitável. E deu golo. Não foi à primeira, foi à segunda.
E o Ronaldo? Cadê Ronaldo? Por onde andou o melhor jogador do mundo? Dei por ele porque ele é mais alto que os outros e tem umas chuteiras laranja e quando pegava na bola ouvia-se um bramido no estádio. Mas depois, quando chutou… népias. O especialista caseiro dizia que “o Ronaldo está a jogar muito para a equipa”, querendo dizer que assim ele não fazia o seu talentoso jogo individual. Não sei. Por mim, confesso, não dei por ele. Perdão: foi ele que passou a bola a um tal de Varela para marcar o segundo golo. Vá lá! Mas fiquei dececionada.
E fiquei mesmo. Com ele, com a equipa, com o Paulo Bento, que prometia a espada e ela saiu embotada, e com Portugal. Quinta-feira vimos para casa, parece-me. E vamos começar a preparar-nos para o euro, dizia o locutor. Triste, não? Foi para isto que fomos ao Brasil?